sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

#1




O chão sujo já não me preocupa.
Já faz parte da minha vida. A tristeza que me dá torna-se um buraco mais e mais profundo, onde posso guardar felizes memórias.
Afinal, o que eu gosto mais é da brisa quente.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

sem título

Espero enquanto a esfera eterna se fecha em mim.
Sombria, rugosa, no seu interior, vermelha de lava, e púrpura, num fundo preto escuro, cinzento nublado, e onde estás tu..?
Somos um...
Estou feliz...
as memórias ficaram lá fora, e agora vou estar, aqui, contigo...
nesta paixão serena e constante.
Assim o imaginei,
e continuo a ver o futuro contigo ao meu lado,
quando será... não sei, mas quero, escolho não aceitar...
Adoro-te, adoro-te, adoro-te...
palavras vãs, não mais acreditarei que existem!
Sinto aí, o aperto do teu amor...
Picadas na pele, inebriantes sons camuflam o doente... que só e pulha vai vivendo...
espero conquistar o meu lugar ao teu lado,
por que choro, fundo, que o Senhor se lembre de te pôr ao meu lado...
porque te amo... meu anjo

Pérolas de poeira

Já não sonho! A esperança fez-se negra. Sujo. O teu coração aberto e mudo.
A criança desaparece, morta. Afogada na caverna em que perdia coragem. Porque sobes montanhas vazias, se amas a planície viva e amiga. Habituei-me a sentir o tempo passar, percorrendo o meu corpo e mente, comendo-os. Espectador da minha morte, espero por ti, para te estrangular. Abandona-me. Lanças a tua sombra do mesmo sol, puro e nosso. Estás entre amigos, observo-te como eles. Nunca te deixo de ver. Solidão.

sem título

Ter medo é morrer.
Medo de entregar.
A vida que espera. Tu esperas.
Pensas no quê? O que foi? Foi?
Ou ainda nada foi, e tudo o que podia ter sido acabou.
Preso no passado, batendo os tambores da memória, cada dia mais mudos.
Não consigo ouvir!
Às vezes... e a esperança ri-se.
E pensa!
Será que ela está viva, essa criança risonha, ou sobra a carcaça?
Vida tantas vezes repetida, sempre a mesma morte... também a vida.
Essa, esta e aquela, a outra.
Quem me avisa?
És tu?
Sei lá que fazer.
A verdade, não consigo...
Há quem faça por mim. Mas quem matou fui eu, e agora vê, a morte.
Afinal podes sorrir.
Podes.

Grito

Eles não sabem em que cansaço eu corro!
Sabem o que não sou, irritantes bestas cabeludas, tropeçam nos restos comuns.
Não tens corpo, e a tua cabeça não funciona.
Estás perdido, foste enganado, chora se conseguires, fecha os olhos e adormece.
Tens braços largos e mãos pequenas, não te movimentas, onde terás deixado o teu corpo, morre e nasce de novo, esperança na esperança que não se tenha esquecido de ti, estás quase a cair. Foste enganado.